A fumaça mágica
Mariana Gama
Fumaça azul, verde, preta, rosa.
Levei diversas cores e vapores para o mercado, mas ninguém consumiu.
Eu sabia da importância daquele conteúdo mágico
Sabia dos poderes curativos de tal matéria etérea
Mas não seduzia
Foi quando o garçom me falou que minha fumaça era nua
Precisava de uma roupa, um invólucro, uma embalagem magnética.
Aceitei.
Levarei para o mercado minhas belas embalagens para todos quererem
Talvez nem abram e botem na estante como enfeite
Mas aquele que abrir terá o deleite de consumir uma mágica fumaça
Azul, verde, preta, rosa.
Ela irá te confundir, fazer rir e entender que não era tão ruim.
Quando teu medo for ruína, assim também será a embalagem.
A fumaça na surdina envolverá os teus ouvidos
Entorpecerá os teus sentidos
Não sentirás!
Eis o primeiro mandamento.
Glauco César II
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