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Avançada

Nevava

Rasguei minhas vestes
Rasguei minha alma surrada.
Rasguei o verbo não dito.
Rasguei jornais, revistas,
Fotos antigas.
Rasguei cartas de baralhos,
Cruzados novos, cruzados usados,
Dólares falsos, e notas de cem.
Rasguei minha boca na tua.
Rasguei minha barriga
Para retirar lá de dentro
Minha juventude que engoli sem perceber.
Rasguei bilhetes, cartas de desculpas,
Rasguei os lençóis que mantinham teu cheiro.
Rasguei os meus poemas que rimavam,
Rasguei, bulas, manuais e catálogos.
Rasguei as contas a pagar,
Calendários, agenda de compromissos.
Rasguei tudo que podia,
Juntei os pedaços...
E tudo pro alto.
Parecia que no meu quarto nevava.

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Esse conteúdo foi criado e postado por:

Philippe Wollney

Autorizado por:
Fundarpe

em 28.09.2009 às 00h16


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poesia, poesiabrasileira, poesiagoiana, poesia brasileira, poesia pernambucana, philippe wollney, poesiagoianense, poesiaphilippe

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